132
Pelas cinzas de sua casa, Dimas se arrastou até uma pedra
Falou para si mesmo: Deste mundo nada me resta!
Só enxergo em minha frente, lixo de tudo que não presta
O resultado das maldades, transforma em cinzas a matéria
133
Sinto-me neste momento, muito mais forte que antes
Estou só com minha alma, sinto meu corpo distante
Para mim, toda matéria morreu, minha fé é mais constante
Abriu espiritualmente para mim, no mundo todo horizonte
134
Triste sentado na pedra, falou: Meu Deus! De Ti jamais esquecerei!
Todas as provas na vida, só por amor enfrentarei!
Os roubos dos poderosos, prometo que resgatarei!
Para as crianças famintas, o que eu resgatar, levarei!
135
Meu Deus! Aqui me despeço, seguirei o meu caminho!
O que me foi predestinado, não mudarei um pouquinho
O que sinto neste momento, não é de um ser assassino
Prometo que jamais serei, um ser injusto e maligno
Estou sofrendo muito, me dê forças, para que não decline!
136
De todo mal tirarei lições, ajudarei quem precisa
Os velhos e as mulheres, e as abandonadas criancinhas
Prometo ser justo em tudo, evitar as coisas malignas
Lutarei contra os tiranos, para salvar todas as vidas
137
Não tenho outra saída, os tiranos estão contra mim
O caminho que escolho, não queria que fosse assim
Se não usar uma espada, tenho que partir daqui
Como fizeram com meu pai, também vão me ferir
Não lutando até a morte, deixarei de existir!
138
Estamos num mundo sem alma, esqueceram de Ti
Tua Lei e Mandamentos, ninguém procura cumprir
Poucos que amam o seu próximo, só procuram trair
É difícil uma criança, que não maculam aqui
139
Não tenho outra escolha, vou lutar para não morrer
Quando souberem que estou vivo, não terei onde me esconder
Perseguirão sem trégua; não me deixarão em paz viver
Terei que enfrenta-los, para sobreviver
140
Os covardes e tiranos, não poderão me vencer
Perseguirei até resgatar, aconteça o que tiver de acontecer
Entregarei a quem pertence, quando os roubos recolher
Principalmente os tiranos, que de vista não quero perder
141
Estarei espreitando-os, todos os dias antes do amanhecer
O que roubarem dos pobres, forçarei a devolver
Não darei trégua um instante, até de volta recolher
Pelas tiranias que fizeram, farei todos se arrepender
142
Usarei uma espada, que a manejar aprendi
Meu pai me ensinou, e dizia-me para a ninguém ferir
Só em último recurso, para minha vida defender
De seu pedido, jamais vou esquecer!
143
A partir deste momento, deixo de ser espiritualista
Até que com minha espada eu consiga, acabar com as injustiças
Procurarei fazer o bem, para acabar com a tirania
Tiraram tudo o que eu tinha, só escapei com a vida
Perdi tudo o que eu amava, as pessoas mais queridas
Me deixaram sem lar, sem pão, sem amigo e sem família
144
Fiquei órfão e desamparado, de meu pai roubaram tudo
Nem o seu corpo enterraram, continua insepulto
Tenho que conseguir dinheiro, para enterra-lo e dar um túmulo
Hoje só tenho Tu por mim, estou sozinho no mundo!
145
Fiquei desamparado, sem rumo e sem direção
Me encontro abandonado, desprezado como um cão
Tenho que procurar alguém, que me dê proteção
No momento não atino mais nada, nem sei a minha missão
146
Ainda na adolescência, me encontro no mundo sozinho
Para sobreviver, só me resta um caminho...
Arrumar um meio, para cumprir o predestino
Para na vida ser, um homem justo e digno
147
Atacarei todos os reinos, que maltratar criancinhas
Que executar primogênitos, para não deixar vir o messias
Prometo fazer justiça, jamais usar covardia
Tua Lei e Mandamentos, lembrarei todos os dias
148
Ainda hoje partirei, para escalar o monte Samaria
Vou me juntar a eles, pertencer aquela quadrilha
Escolho a mais valente, e também a mais temida
Sei que para chegar até lá, vou arriscar minha vida!
149
Não tenho mais nada a perder, só me resta a vida
Não tenho lar nem amigo, abandonado e sem comida
Em ser bandido não pensava, em nenhum momento pretendia
Lutarei até a morte, pela verdade e justiça
150
Dimas começou a escalar o monte Samaria, se alimentando de frutas
Não temia aquela quadrilha, previa uma grande luta
Enfrentava o desafio, como se caminhasse para a sepultura
Entrar naquele covil de bandidos, era uma grande loucura!
151
Refletiu muito, mas não recuou, nenhuma arma levava consigo
Respondia para si mesmo: -Não temerei o perigo
Vou fazer amizade, não vou procurar inimigos
Convencerei aquelas feras, que serei deles amigo...
152
Ao se aproximar da caverna, notou que estava vazia
Tudo ali era silêncio, nenhum barulho se ouvia
Chamou, ninguém respondeu, era perto de meio-dia
Sentia uma fome terrível, à dias que pouco comia
153
Ao entrar na caverna, um cheiro de carne sentiu
Uma costela de carneiro, pendurada ele viu
A fome era tanta, que dos bandidos esqueceu
Pegou a costela, preparou e comeu
Ouviu muita gente falando, não se apavorou nem correu
154
Sentado com toda calma, continuava a comer
Ouviu alguém falar bem alto: Quem está aí vai morrer!...
Respondeu Dimas com toda calma: -Antes deixe eu explicar, o que aqui vim fazer!...
Por admirar vossa profissão, vim a todos conhecer...
A quadrilha mais valente, que ninguém consegue vencer!...
Por admirar vosso bando, quero a ele pertencer!
155
-Com quem tenho o prazer de falar? Com um homem muito valente, com um louco, ou com uma criança?!...
Perguntou o chefe a Dimas, que se conservou à distância...
Dimas respondeu: Só posso provar quem sou, depois de me alimentar!
A maneira como vai ser, o chefe é quem vai mandar!
Mostrarei que sou homem, se for preciso lutar!
Se é que tem alguém, disposto a me enfrentar?!
156
Se for disputar um duelo, peço uma espada me emprestar
Não tenho arma nenhuma, desarmado não vou lutar!...
Roubaram tudo o que eu tinha, não pude uma espada comprar!
Nisso Dimas se levantou, tinha terminado de almoçar
157
Disse de cabeça erguida ao chefe: Escolha um para me experimentar!
Escolha o melhor do bando, para comigo duelar!
A escolha é do chefe!... Com quem devo lutar?
Respondeu o chefe a Dimas: Aqui tens a minha espada! Esta vantagem vais levar!
Dentre todas as espadas, não tem nenhuma igual!...
158
Já venci muitas lutas! Não tem têmpera igual!
Envergue a ponta até o cabo, vê se consegues quebrar!?...
Te darei esta espada, se na luta não morrer!
Escolherei o melhor espadachim, para logo te vencer!
Faça o teu último pedido, que irei obedecer!?...
159
Dimas respondeu ao chefe: Uma coisa quero lhe pedir:
Preste bem atenção, para depois não desistir!...
Se eu vencer a luta, quero continuar aqui!
Com uma única condição, de um regulamento seguir:
Só atacar os ladrões, que dos pobres extorquir
Respeitar velhos, mulheres e crianças maltrata-los não consentir!...
160
O chefe disse a Dimas: Aperte minha mão aqui!...
Lute até a morte, porque se vencer vou cumprir!
Te direi ainda mais: Serás chefe depois de mim!
Digo, porque tenho certeza, que vivo desta luta não vais sair!...
161
Diga então, meu chefe, com quem devo duelar!?
Lutarei com qualquer um, não posso nenhum recusar!
Prefiro o melhor, para dúvida nenhuma deixar...
Que na espada sou invencível, vou agora demonstrar!...
Iapeam Olhif - Espírito de Luz
Psicografada Pelo Médium Rui Souza
(Final do Capítulo 5)