
162
O chefe escolheu para lutar com Dimas, o melhor espadachim do bando
Não era vencido por ninguém, já fazia muitos anos
O chefe tinha certeza, que a luta terminaria em um instante
Porque ia ver uma criança, lutar com o melhor de seus homens
163
Aviso tomar cuidado, aquele que me enfrentar!
Sei que sou uma criança, mas também sei duelar!
Com uma espada na mão, ninguém consegue me matar!
Pouparei a vida do companheiro, se a luta eu ganhar!...
164
O chefe gritou para os lutadores: Já!...
Os lutadores com muita classe, começaram a duelar...
Um estudando o outro, sem um momento descuidar...
Quando uma espada batia na outra, parecia relampear...
165
Dimas com toda calma, estudava o páreo
Confiava em si mesmo, era determinado
Acabou aprendendo as manhas, do seu adversário
A maneira como lutava, o bando ficou admirado!...
166
O bandido avançou para Dimas, para acabar com a luta logo
Quanto mais era atacado, mais se sentia sóbrio
O chefe falava ao bando: Dimas já fez seu prólogo...
Ele vai ganhar a luta, considerem nosso sócio
167
Dimas com sua espada, fez a do adversário voar
Partiu em quatro pedaços, só dois puderam achar
Levou a ponta da espada na garganta do vencido e disse: Não vou querer te matar!...
Vim aqui, como já disse, para ao bando me juntar!
168
O chefe ficou estático, nunca viu coisa igual!
Nunca viu num espadachim, tanta calma para lutar!
Lutou com uma naturalidade, que era de espantar!
Só viram a espada de Dimas, fazer a outra voar!
169
O chefe apertou a mão do menino e disse: -Te considere no bando!
Te adotarei como filho; no momento precisas de quanto?
Dimas respondeu ao chefe: -Dinheiro para comprar a espada que foi de meu pai,
e para lhe dar um sepulcro
No momento para mim é o bastante; dá para cobrir as despesas de tudo
170
Queimaram o meu lar, com tudo que eu possuía
Mataram meu pai e minha mãe, e toda minha família
Me deixaram ao relento, sem minhas pessoas queridas
Deixaram meu pai insepulto, ainda tentaram tirar minha vida!
171
Respondeu o chefe ao menino, chorando de emoção:
Fizeram o mesmo comigo, me fizeram bandido e ladrão!
Tudo que roubei até hoje, reparti com meus irmãos
Foi o único meio que restou, para cumprir minha missão
172
Perdi tudo na vida, fiquei sem lar, sem família
Executaram sem piedade, as pessoas mais queridas
Abandonado, sem proteção, fui obrigado escolher esta vida
Fiz tudo para ser bom, mas não foi como eu queria
Mesmo roubando de quem rouba, ajudo as pobres criancinhas
173
Não pretendo que ninguém seja igual a mim, e siga a minha triste sina
Não queria ser bandido, para ter a proteção divina
Me envergonho de mim mesmo, do meu triste destino
Comecei a passar fome, desde quando menino
Também fui adotado no bando, por um bondoso bandido
Que obrigaram a se desviar, e deixar de ser digno
174
Quantas crianças neste mundo, que pela fome são desviadas!...
São desamparadas por todos, nas ruas abandonadas
Por esses infelizes, os governos são os culpados
Por não dar a mínima atenção, e deixa-los desamparados
175
Se eu não perdesse os meus pais, quando ainda menino...
Talvez eu seria outro homem, não seria vingador e violento
Nossa educação depende, do meio em que vivemos
No meio de pessoas dignas, coisas boas aprendemos
No meio corrupto e prostituído, malignos acabamos sendo
176
Devemos aquilo que somos, a Pátria em que nascemos
A dignidade da Pátria e do povo, depende dos seus governos
Quando governos e reis são dignos, povo e pátria vão se elevando
Quando são corruptos e desonestos, todos vão declinando
177
Pelas injustiças praticadas, todos vão se revoltando
As crianças vão aprendendo, com os maus exemplos que vão dando
A medida que vão crescendo, aos poucos vão se degradando
Se espelhando em pais e governos, bandidos vão se tornando
178
Não queria te adotar, para seguir meu caminho!
Queria que fosses um homem perfeito, justo, honesto e digno
Quando os governantes não prestam, mudam o nosso destino
Mesmo contra a vontade, obrigam a ser bandidos
179
Tome esta sacola, aqui tens todo dinheiro para pagar tuas dívidas
Para fazer um túmulo digno, à tuas pessoas queridas
Ficaremos aqui aguardando, que breve seja a tua vinda
Para que o mais rápido possível, te integres a nossa quadrilha
180
Enquanto Dimas descia as montanhas, começou a meditar:
Ontem eu tinha uma família, hoje não tenho um lar
Me obrigaram a ser bandido, para vivo continuar
Todo produto dos roubos, com nada quero ficar!
181
Roubarei dos grandes ladrões, que no poder estão
Darei à todas as crianças, que ninguém dá atenção
Aquelas que também são órfãs, que não tem lar, nem pão
Que perambulam pelas ruas, sem ninguém dar proteção
182
Como é triste neste mundo, para quem não tem ninguém por si!...
Não tem uma família, nem para onde ir
Agora posso compreender, porque muitos se obrigam a se prostituir...
Se corromper e roubar, e o mau caminho seguir!...
Os maiores responsáveis, são reis e governos vis
183
Dimas mandou fazer um túmulo, e colocou os restos mortais de seu pai
Com lágrimas nos olhos, disse: Descanse aqui em paz!
Cumpriste tua missão, para junto de Deus vais
De mim fizeram um homem errante, que de matar é capaz
Para acabar com as injustiças, e maldades não ter mais
184
Descanse em paz, pai querido, jamais te esquecerei!
Em toda minha vida, lembrarei do bem que me fez
Foste sempre um pai perfeito, o que tenho de bom te agradeço
O amor pelas crianças, e todo bom sentimento
185
Juro, pai querido, que justiça vou fazer!
Protegerei velhos, mulheres e crianças, enquanto neste mundo viver!
O Messias que me falavas, nunca vou esquecer!
Darei minha própria vida, para a Ele proteger!
186
Descanse pai querido, nunca esquecerei de vós!
Perseguirei até o último descendente, de todos seus algozes
Prometo, tua vontade, procurar realizar
As crianças abandonadas, todas elas amparar
187
Dimas foi até a loja de objetos antigos, para a espada de seu pai comprar
Aquela que com todo carinho, lhe ensinara à manejar
Estava em perfeito estado, não havia outra igual
Perguntou para o dono da loja, o quanto devia pagar...
188
Disse o negociante: Pague o preço do dia!...
Dimas pagou em ouro, o dobro do que valia
Perguntou o negociante: O que pretendes fazer com essa espada?
Respondeu Dimas: Breve saberás!
Com ela o nome de Dimas, o mundo não esquecerá!...
189
No dia seguinte, vários mortos foram encontrados
Com a ponta da espada, Dimas assim tinha gravado:
Este nome correrá o mundo, por todos será falado
Representará o símbolo, de todos os injustiçados
190
Eram os centuriões do Rei, os mortos encontrados
Foram todos reconhecidos, pelo que na testa estava gravado
Um rapaz de apenas doze anos, a todos tinha executado...
Os algozes de seu pai, que por ele foram vingados
191
Dimas voltou para o bando, e começou os assaltos
Todo produto dos roubos, repartia com os que precisavam
Aqueles que ele matava, deixava seu nome gravado...
Nas testas de seus algozes, que eram por ele visados
O nome de cada um, tinha no seu livro marcado
192
Não deixava nenhum insepulto, todos eram enterrados
Assim faziam seus companheiros, conforme tinham combinado
Eram temidos por seus algozes, e pelos fracos admirados
Se transformou em vingador, de todos os injustiçados
193
Dos bandos do Monte Samaria, de todos, era o mais falado
Pelas suas proezas, era por todos admirado
Sua coragem e valentia, eram por todos comentadas
A sua marca famosa, nos algozes era gravada
194
Dentre todos os bandos, era o mais comentado
Pela sua valentia e coragem, era por todos respeitado
Velhos, mulheres e crianças, por ele eram amparados
Outros bandidos tinham que prestar conta, se fossem seus protegidos molestados
Até os centuriões do Rei, eram todos vingados
195
As caravanas do Rei que transportavam ouro, eram por exércitos acompanhadas
Dimas, com sua inteligência, preparava as emboscadas
Grandes avalanches de pedras, nas montanhas preparava
A caravana era atingida, no momento que passava
196
O Rei ficava mais preocupado, com a audácia de Dimas
Ninguém escapava aos ataques, daquela temível quadrilha
Só quem pertencia a corja do Rei, é que era perseguido...
Pela quadrilha mais corajosa, conduzida por um menino
197
O chefe já estava cansado; confiava o bando à Dimas
Em matéria de ataque, de tudo ele entendia
Quando atacava as caravanas, só ouro e jóias pretendia
Evitar que alguém morresse, a todos prevenia
198
Todos os assaltos praticados, eram contra os poderosos
Contra os Reis e seus comparsas, os maiores ladrões do povo
Dos assaltos com nada ficava, repartia para todos
Quando completou vinte e um anos, era o bandido mais famoso
199
Num dos maiores assaltos, o chefe foi ferido
Dimas lhe tinha como um pai, ficou muito entristecido
Feriram o chefe de morte, não pode ser socorrido
Morreu no dia seguinte, antes recomendou aos bandidos...
Que o comando de Dimas, por todos devia ser seguido
Antes de dar o último suspiro, abraçou todos os amigos
200
Depois de sepultar os restos mortais do chefe, em um lugar todo florido...
No cimo do Monte Samaria, onde tudo podia ser visto...
No momento de sepultar, prometeu ao chefe e amigo:
-Continuarei como chefe, atendendo o seu pedido!...
201
Respeitarei os fracos, velhos, mulheres e crianças
Quem os molestar, comigo acertará as contas
Aqui todos viverão em paz, farei um paraíso nesta montanha
Os perseguidos pelo reino, defenderei de toda sanha
Iapeam Olhif - Espírito de
Luz
Psicografada Pelo Médium Rui Souza
(Final do Capítulo 6)
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"A
Verdadeira História de Dimas"
Grupo Espiritual "A Consciência Divina"
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