Mãe, enquanto César cuidava do seu fatídico império, e DEUS do Mundo, assomavas tu ao canto de uma província, e no interior de um estábulo, sem que Roma, nem o império, nem
César e seus cúmplices te percebessem, me davas a Luz, para ficar a posteridade, o mais Puro e mais sublime amor de mãe. Pudeste mostrar ao mundo, que os tiranos, religiões e a política, ignoram tudo, até os
mais formidáveis interesses da humanidade.
Tive por berço as palhas de um curral para demonstrar através, do meu nascimento, que o amor ao Pai Eterno, está acima de todas as vaidades. As últimas das mães
sentir-se-iam humilhadas, se houvessem de reclinar o fruto do seu regaço, no sítio objeto, onde recebi os teus primeiros carinhos, na manjedoura onde abri os olhos a primeira Luz, cujo o perfume da Natureza
recende até hoje, como o canto do rouxinol e mais sublime e divina poesia.
O dia do meu natal fez-se para a cristandade o mais formoso dia da terra, como o céu da manhã e os rostos puros das crianças. Elas de geração em geração ficarão sabendo,
para todo o sempre a história do meu nascimento. E nas festas de teu contentamento e de minha inocência, tinhas no teu Deus dos Justos, dos fracos, dos humildes e dos pequeninos a parte mais límpida, mais
divina e mais sublime do teu culto, e o dia mais meigo de tua influência benfazeja. E a verdade se repete após dois mil anos, para que desta vez eu possa salvar o mundo, no mesmo rito infantil, com o mesmo amor
e humildade estrelando de alegria as neves polares, orvalhando humildemente os fulgores tropicais, estendendo o firmamento debaixo dos tetos mais simples e mais humildes. E nos espíritos mortificados e tristes,
porei sempre uma alvorada feliz.
Mãe, como me sinto bem entre as crianças, e quando elas me encontram entre si. Despindo-me de todo poder e majestade, caberei no teu ventre, e no tamanho de um pequenito.
Enfrentaste com meu pai as armas irresistíveis de um império tirano e cruel. Venceste com teu amor e tua coragem todos obstáculos para salvaguardar minha vida. Para cumprir
minha missão obedeceste os desígnios de Deus, onde a espontaneidade da tua adoração sempre se renova e embalsama, e se repete na origem da vida, a todos aqueles pais, irmãos e benfeitores, a quem concedeste a
benção de como amar uma criança, igualmente como fizeste comigo no teu ventre e nos teus seios.
Todos verão nelas tua imagem, a cópia idealizada pela fé, pelo amor, do eterno tipo do belo. Divinizando a infância, crescendo e florescendo com ela, deixaste à espécie
humana, as reminiscências mais amáveis de tua bondade, de teu carinho e desvelo para com seus filhos.
Em cada casa que permita, que gorjeie no dia de meu natal, e que pipile num desses ninhos tecidos pelo amor, o carinho e a providência das mães. No meio de tantas
ingratidões, tantas calúnias e tanto desamor, ainda exalam para ti as súplicas, os hinos de felicidade, que alegram as crianças, na sua inocência e no seu alvoroço.
É por essas criaturinhas, querida mãe, que eu sonho, e me apego de cuidados. Minha previsão anoiteceria de agouro funesto, se não te visse de permeio entre elas, até que eu
volte para cuidá-las e orientá-las, para preparar um porvir de Luz, de amor, de fé e de esperança.
Mãe, ore para Deus e peça em tuas preces, para que se for possível, multiplique os sofrimentos dos adultos, para que não sofram as crianças, para que cure esse mundo da
aridez da alma que a mata. Doure-lhes o porvir, do teu riso compassivo, semeando, a tua semente e de meu pai, nesta geração que desponta.
Permita enfim, que todos possam celebrar conosco o dia mais ditoso, a passagem do meu natal, para que esse mundo conturbado com guerras, violência, destruição e falta de
amor, se transforme num eterno paraíso como sempre desejei, onde todos possam amar-se como irmãos, para que a desigualdade e as injustiças, sejam banidas definitivamente da face da terra, para que triunfe a
verdade e pereça a mentira que tanto mal tem causado a humanidade.
Iapeam Ohlif - Espírito de Luz
Psicografada Pelo Médium Rui Souza